segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sangue Frio

Os motoristas que transportam estudantes muitas vezes são obrigados a suportar ofensas e até agressões por parte de alguns alunos que não conseguem respeitar seus semelhantes, pessoas que enxergam o profissional apenas como um objeto.
Ao cursar o terceiro colegial, em uma cidade distante uns 3 km da minha, éramos transportados por um ônibus, onde 45 pessoas faziam esse trajeto. As últimas cadeiras do ônibus eram ocupadas por aqueles alunos que não gostavam muito de estudar, estavam procurando bagunça e festa. Sempre estavam atormentando os alunos mais reservados e faziam questão de tornar a viagem insuportável para as pessoas que queriam descansar ou dormir.
Certa vez um desses alunos, insatisfeito com tudo o que já havia feito, e procurando meios para se divertir às custas dos outros, resolveu chegar ao cúmulo de suas brincadeiras. No meio do trajeto, abriu a janela do ônibus e começou a urinar para fora, nos carros que passavam na outra mão. O motorista foi comunicado e parou o ônibus imediatamente.
Para surpresa de todos, o aluno se sentiu ofendido, disse que estava pagando e portanto tinha o direito de fazer o que bem entendesse. Ao tentar acalmar o rapaz, o motorista foi atingido com um soco no rosto pelo estudante. O motorista não pôde revidar a agressão e o rapaz foi impedido de embarcar no dia seguinte. As pessoas que estavam presentes viram que o profissional foi agredido gratuitamente e que o rapaz estava completamente transtornado.
Esse é só mais um exemplo das condições enfrentadas pelos profissionais das ruas, pessoas que muitas vezes têm que levar desaforo pra casa e demonstrar sangue frio diante das mais adversas situações.

Um comentário:

Alvaro O disse...

É um caso interessante, mas em que ajuda a entender a identidade do objeto de estudo (motoristas da PUC)? A relação precisa ficar clara.